O que poderá secar a minha dor
Ou conter meu pranto?
Ele não cabe nos espaços que deixei.
Os sonhos me salvaram desse inferno
(Por enquanto)
Mas o que me salvará dos sonhos
Em que me aprisionei?
Não me permito a liberdade,
Pensando que não mereço
Nada direito
Nessa vida torta.
E me torturando eu sigo
Sem saber quem são
Estas mãos que escrevem
E este tudo à minha volta.
Não sei mais a quem pertencem meus desejos
Ou quem desejo de fato.
Sei apenas que nada me satisfará
Como o fazia tua ilusão,
Tua sombra,
Teu vestígio de existência em minha vida,
Pois nunca me pertenceste
Só eu a ti, meu refúgio.
Quem me salvará da ausência
Da tua voz,
Do teu sorriso
Que mal toquei?
E quem me salvará da tua presença...?
Não foi tua presença que eu perdi, afinal,
Foi teu gosto...
Teu desejo exagerado.
Quem me salvará da tua saudade?
Pois essa falta pertence a ti apenas.
E do naufrágio
Na própria existência
De quem pensa não merecer sorrir?
Dos pensamentos inevitáveis
E das lembranças irritantes
Da loucura à qual me submeti?
A tristeza por não saber mais
Encaixar versos e rimas
Pois me roubaste a poesia
Que escrevi em ti.
E, às vezes, penso que ela era tua ainda assim.
Devolve, então, meus versos, minha alma, minha cor
E fica com a dor que eu sinto agora.
Mas nunca vá embora
De vez
Porque eu já quase sinto falta
Da falta que tu fazes em mim.
nov, 2012.
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