Eu desenhei minha vida em seus braços
E foi meu erro.
Doei o que nem tinha e doeu tanto.
Agora troco o verbo por silêncio.
Aguardo o impossível sem notar.
E os sorrisos não mais cobrem meu disfarce.
E vem as lágrimas nos olhos e a tristeza.
E da boca que eu abro a lhe falar
Só sai um riso que consente
Num suspiro abafado que indaga
Se minha alma morreu com a saudade.
E todo o meu desejo despejou com seu adeus.
E toda minha fúria se voltou a mim mesma.
Meu calor esfriou, a esperança findou.
Eu me afogava em meio ao próprio ódio.
E da minha vida se fez entorpecimento.
Numa eterna dúvida, cheia de por quês.
Tudo o que eu fora se foi
E ainda não sei bem o que restou.
A verdade é que ainda me corrói o sentimento.
E a loucura tem sido fiel confidente
Salvadora do meu ser
Escondido, bem apertado e hesitante,
Em algum lugar dessa alma tola.
E a ilusão dá espaço à realidade
Mais do que eu desejaria.
E sinto minha essência se derramar em lágrimas.
Verdade, a lucidez já não me satisfaz.
Talvez eu possa ficar assim para sempre,
Mas talvez não possa mais.
Afinal, quem é capaz
De viver nas sombras eternamente?
De viver no cinza e não no preto ou no branco...
A verdade, eu me entorpeci de saudade
E vem o remorso e a raiva e as palavras menos suaves.
E me pergunto se a cura está lá fora ou aqui dentro.
Se está em seu abraço vazio
Que me acolhe e me acalma e é migalha.
Ou se está na minha mente e no meu ser
Que ainda não sabe ao certo quem ser
Mas, talvez, seja a única forma de me salvar.
A verdade é que, em parte, escolho a dor.
Para não ter que lhe guardar só na lembrança.
A verdade, embora possa estar fugindo da razão,
Eu nunca prometi lhe esquecer.
nov, 2012.
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