São as meias palavras
que se esquecem no silêncio
na pausa,
na dúvida,
no medo
de tudo o que é leve demais.
É o terror de se perder
o que nunca possuiu
e se perder, então, de tudo.
Escapar de si mesmo
em pensamentos traiçoeiros.
Havia um tempo em que a brisa
suspirava ao pé do ouvido
Hoje, atormenta
e despedaça.
Desmonta fé, razão e futuro.
Agora o vento pesa
tua ausência.
Pensa demais...
Desaparecem os caminhos
e a paz
e a luz.
Hoje, a noite chegou mais cedo
E ainda chove aqui dentro.
Aguardo o sol despertar, mas temo
que a escuridão nunca adormeça.
De que os passos permaneçam
tortos à tinta preta
E os versos sempre brancos
Rimando as entrelinhas
com a dor que desconserta.
Mari, agosto 2012
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