segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Entre Arranhões e Histórias

Naquela esquina dos lábios
Em que o silêncio abriga a dor
Onde as palavras morrem
Sem tocar o vento
Eu te perdi. E a mim também

Te guardei na saudade
E a saudade se desenha
Misturando dor e arte
Que macula o papel
Sem dó nem piedade

Prosa rimada é poema
Amor calado, solidão
Não mereces nem um verso
Desta minha poesia
Mas já viraste verso, ora
Maldita hipocrisia!

Pincelo a dor com letra
depois de retorcê-la
Como acobertasse um crime
- O de não ter alegria
Com as feridas da alma
Traço cicatriz em poesia
E de que outra maneira
Eu sobreviveria?

[MFP - 20.12.2010]

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