quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Olhomar

Olhos marejados
Que contemplam esse mar e já
Te querem
Te veem em pensamento
Quando vens fazer da mente
Abrigo pr'a saudade.
E a saudade
Que é também desse lugar
Escorre da minha alma
Com gosto de mar

Se me disseres que
Esse infinito vai além do que vejo,
Eu digo "sim".
Peço que me abrace como o ar
Tão leve,
Quase sem sentir...

Mas há tantas coisas entre
Suas palavras de vento
Tanto cabe nas entrelinhas
Desse silêncio que arrepia,
Esse silêncio que o horizonte desenha
Tão leve...
E tão denso.

Às vezes, a dor não sabe onde se esconder
E vem chorar em meus ouvidos
Acordes menores
Melancolia

Quem dera eu escrevesse a vida assim
Em partitura
Já saberia todas as surpresas
Do futuro
Que às vezes rima torto
Só pr'a gente rir

Mas de que me valeria viver
Sem a aventura
De desbravar o infinito de dúvidas
Que compõe esse caminho obscuro?

Porque de tudo o que não sei
(E eu não sei de mais nada agora)
És minha mais doce incerteza.

Quando eu contemplo esse verde azul -
Teus olhos cor de alga
Feito tinta,
Pintura cega,
À sorte da natureza,
Só estou certa de que não existem certezas.

A vida muda feito a areia
E é a mudança marcando
Esses traços imperfeitos
Que a torna ainda mais bela.

[MFP]

09.02.2011

Nenhum comentário: