quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Meia-noite e as Horas

É meia-noite
E as horas que se seguem não tem preço.

Deixa eu fechar os olhos
E fingir que você não vem à minha cabeça
Quando penso em tudo o que perdi.

É meia-noite
Mas é a lua cheia que banha minha inspiração profunda.
Feito aquele lago,
onde eu fingi que nós estaríamos um dia.

Feito aquela dama que navegava o próprio corpo na água
E você admirava. 
Sorria.
E eu adorava seu sorriso, quando havia.
Pois era raro.

E aquela trama que inventei sobre nós.
Que dilacera meu bom senso, pois é mentira.
Eu não tenho mais desculpas pra lhe ver e me iludir.
E essa lua não vai me perdoar.

Todas as rimas foram falhas.
E tão falsos aqueles beijos.
Hoje, eu só vejo o que me pena e não a sorte.

Hoje à noite, eu olhei as horas
Fechei os olhos, de novo
Orei ao vento (pois ninguém ouviu): onde está

A rima dos meus versos?

Em meio ao silêncio - 
E a culpa, e todos os lamentos -
O próprio tempo me responde:

Larga esses verbos tortos
Errados
Escreve sua história, por que não?
Ou vai morrer de febre e de lágrimas,
de solidão?

Vai viver sem culpa,
que o mundo ainda gira e lhe aguarda.





















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