A chuva faz da janela sua tela. E da minha alma... paz. Lá fora tudo parece atormentado. Mas daqui de dentro só vejo beleza. A água chora um padrão de pingos recortando a obviedade do vidro - a natureza fazendo arte à minha frente. Bem na minha frente!
A rebeldia do vento artista me hipnotiza. Revoltando galhos e folhas e nuvens, em tamanha violência, ainda que inocente, quase infantil, sob clarões violeta. E, em meio a todo o drama, encontra um tempo incerto a pincelar a calmaria nesse espelho sombreado em que me vejo perplexa. Em meio a tempestade em potencial tragédia, fixo os olhos na tinta translúcida que desce pela tela em câmera lenta como num filme, tamanha a poesia do momento. O vento vira verso, e ainda respinga outras gotas, como quem quisesse me acordar da hipnose, e como quem quisesse substituir as estrelas do céu nublado... Ah, artista orgulhoso!
E me deu uma vontade de melancolizar toda essa poesia que estou vendo no papel. Como se eu fosse capaz de descreve-la da mesma forma que essas lágrimas fazem em minha janela. Nem o que fazem, igualmente, na janela da minha alma eu poderia. É muito para as palavras. Talvez só o silêncio possa fazer jus ao sentimento.
[MFP]
2 comentários:
tá ventando forte na babylon!!mas alguns galhos jamais envergarão!!hauhaua
iauhaiuahiauh
o/
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