sábado, 24 de julho de 2010

À Deriva

No escuro, as lágrimas choram
a calmaria assustadora do medo.

Deságuam brilhantes
antes de alcançar o sorriso
que se esboça entre a dor e a paz.

Derramam-se silenciosas
até relaxar num soluço súbito.

Desbotam a melancolia
até que surjam cores.

Desgastam a dor
num conforto hesitante.

Derrotam a angústia,
reinventando forças.

Definham na pele
até tudo virar sal.

Assim, vão reerguer a vida,
cuja beleza reside
na mesma inconstância
que desenha a melodia.

Toda tormenta desmonta a razão
e deságua em calmaria.

{MFP, 11.06.2010}

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