Suspiro a melancolia que me envolve
quando em acordes solitários desperto.
Lágrimas de uma tristeza que não existe
gritam meu medo da solidão.
Respiro a neblina do pensamento
quando acordes medonhos despertam
um grito de tristeza em solo
regado a lágrimas solitárias.
E nenhum sol me acorda,
pois meu mundo agora é noite.
É na escuridão sem saída
de um labirinto de não-escolhas
que essa garoa me tortura.
Um chove-não-molha
em pingos solistas,
fazendo acordes que gozam
da própria nostalgia
com toda a fúria de uma tormenta
que é este tormento -
chuva que não pára aqui dentro,
desmanchando peças
que não se encaixam na história de ninguém
Boca seca,
alma encharcada.
Sem saber pr'onde fugir
em meio a esta neblina
que turva meus pensamentos.
Sonho que
não me acorda,
não me encanta,
não faz mal,
por não ser sonho, apenas,
é mundo real.
Tudo o que peço perco
trocando passos errantes,
traiçoeiros.
Meus desejos não me aceitam.
E nem eu aceito destino
empurrado garganta abaixo.
Grito de desejo por essa vida,
num coro de delírios alucinantes,
e beijo a morte como a vida me trouxe:
na paixão por ela e com medo de perdê-la.
E que acordos são esses?
Se eu, inocente, só quero viver.
Se tão bela é esta vida,
devo mesmo aproveitá-la
e o faço com prazer,
ignorando esta dor falsária.
A gente mente um bem-estar
e, quando posso,
eu minto a dor para brincar
de fazer rimas tontas por aí.
e mesmo em neblina turvando a vida,
não tenho medo do obscuro,
pois minhas escolhas já se perdem
nesse caminho escoregadio.
[mfp]
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