Risco teu balanço para te fazer cair.
Quero bambear teus pensamentos
com palavras libertas,
escritas melancólicas
que mancham o papel
e vêm também manchar
tua lucidez,
brincando de se fazer mais vivas.
Quero te fazer respirar
minha confusão -
neblina densa, turva,
confissão hesitante,
mas que anseia novos ares.
Se é aqui ou lá
ainda não me acho,
mas te encontro
em meio a tal neblina
como reprises de novela:
sempre a mesma história
e não há coragem que mude o destino,
o último suspiro.
Entristeceria-te mais
ignorante melancolia
ou o sofrimento de se fazer sábio?
Porque a razão,
hora bênção, hora maldição,
desenha torto
e, às vezes, não queremos entender
o que não nos satisfaz.
Quero pincelar na tua alma o meu amor
e te fazer sentir meu medo.
Pois é a mesma cena, a mesma dor
que venho sofrendo.
Palavras que me suplicam liberdade
e num final sussurro as liberto
com toda a emoção que podem me dar:
em externação se transformam.
Apenas algo mais do que nada,
mais intenso do que minha voz.
Vomito palavras que não sossegam dentro de mim.
e nesse coquetel de sentimentos,
percebo um misto de dor e afeto
querendo amar a todos,
mas também merecendo amor.
Sem poder odiar
por amar demais as pessoas (e suas falhas)
- são tão cegos, tão confusos -
e me atormenta esse turbilhão de nada,
de sentimentos que se anulam,
pois não é nada que eu possa nomear, de fato,
se nem dor e nem alegria.
Mas ainda algo está aqui.
Em sentimento libertário
contra as amarras da razão.
Chame de loucura,
mas é assim que nem eu mesma compreendo
é assim que me perco e peço tua mão.
Não é loucura contentar-me
com o que segue errado
pois não sou ninguém para saber o que é tão certo
deixo a certeza para os tolos
e meu destino traço
nos passos que sigo
sem a hipocrisia
de buscar razão
onde nem eu mesma me acho.
E menos vazia me sinto
quando entre pena e papel divido delírios,
confissões que compartilho
dessa paixão por libertar sentimentos
e me deixar liberta junto às palavras,
tentando achar a luz
no fim do pensamento
que busco incessante
por até mais espaço
para confusões confessadas
entre os quatro cantos do papel.
[MFP]
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